quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sexta-feira sangrenta (efeméride)


Idosa na província do Uíge. Foto: Muana Damba(http://www.muanadamba.net)
Por: Pedrowski Teca – 22 Janeiro 2015
Fonte: Drowski Notícias

Há 22 anos, exactamente no dia 22 de Janeiro de 1993, no rescaldo do conflito pós-eleitoral de 1992, alega-se que, fazendo o uso dos órgãos de comunicação estatal, dirigentes do MPLA, incentivaram a violência popular contra cidadãos angolanos da etnia Kikongo, acusando-os de terem votado a favor do seu adversário, a UNITA.

Oficialmente fala-se de 57 mortos, mas várias individualidades e organizações apontam em mais de mil vítimas daquela chacina etnolinguística.

Os ataques xenófobos contra cidadãos angolanos do grupo étnico Kikongo, tiveram sempre motivos políticos, sendo que os partidos nacionalistas tiveram bases fortes em grupos étnicos, precisamente: A FNLA era composta por Bakongo, o MPLA por Kimbundos e mestiços ou descendentes de português e angolanos, e a UNITA consistia maioritariamente de elementos da etnia Umbundu.

Durante a luta de libertação colonial, os vários grupos estiveram asilados em muitos países, mas a FNLA (antes UPA) liderada por Álvaro Holden Roberto, tinha forte presença na actual República Democrática do Congo (RDC), outrora Zaire de Mobutu Sese Seko, onde havia formado o GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exterior), que formou, através de bolsas de estudos, muitos quadros angolanos.
A forte presença de angolanos da etnia Kikongo na RDC, um país vizinho que fazia parte do antigo Reino do Congo, sendo os povos similares em hábitos culturais, gastronómicas, etc, deveu-se também pelo facto da facilidade de deslocação pela proximidade das províncias de Cabinda, Zaire e Uíge ao DRC.
Após a independência, os Bakongo começaram a ser referenciados como “retornados” ou abreviadamente de “retrós”, palavras que passaram a ter uma conotação derrogatória, tendo também surgido outros nomes como: “zairenses” e “langa-langas”.

Durante o conflito pós-independência, o MPLA foi acusado de implantar partes de cadáveres retirados de uma casa mortuária em Luanda, nas instalações do partido FNLA e consequentemente ter utilizado a imprensa oficial, numa emboscada pré-meditada, para caluniar aquela formação política adversária perante a opinião nacional e internacional, acusando os seus integrantes de canibalismo, surgindo assim a frase: “Zairenses comem pessoa”.

Na manhã do dia 22 de Janeiro de 1993, sob tensão do conflito pós-eleitoral, líderes do MPLA, usando a imprensa oficial, incentivaram e coordenaram ataques contra angolanos do grupo linguístico Kikongo, tendo-se registado maiores incidências nos bairros da Mabor, Petrangol e Palanca, na província de Luanda, os chamados “retrós”, “zairenses” ou “langas” maioritariamente residiam.

História

Os Bakongo são um grupo étnico banto que vivem numa larga faixa ao longo da costa atlântica de África, desde o Sul do Gabão, passando pela República do Congo, e a República Democrática do Congo, até à parte norte de Angola.

Apesar do antigo Reino do Congo ter consistido naquela vasta área, as fronteiras coloniais, que delimitam actualmente os países africanos, traçam a divisão do Reino e estratificam-no em pequenos grupos que actualmente existem em diferentes países.

Em Angola, os Bakongo são os povos das províncias ao norte, nomeadamente: Cabinda, Zaire e Uíge, que formam o terceiro maior grupo étnico do país.
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